sábado, 27 de agosto de 2022

Nome para quê?

Pensei em criar um novo blog e para isso comecei a pensar em um título.

ultimamente tenho me comunicado com muitas poucas pessoas.

conversado, dialogado.

gosto de conversar por áudio com um amigo. a comunicação tem se dado assim.

acho que tem o lado prático, mas também terapêutico de falar, elaborar um pensamento, exteriorizar os pensamentos e ideias que fazemos ao longo dos dias de trabalho e que ficam na cabeça fermentando.

há uma sensação curiosa, estranha que algumas vezes perpassa alguns desses áudios que é a de lugar nenhum ou lugar fantasma, talvez uma palavra seria a de existência clandestina. como se ouvíssemos uma gravação perdida/encontrada. foundfootage. mas com conteúdo nada banal, feita por alguém que, como diz pasolini, sabe do perigo que todos corremos.

***

Revi essa sensação vendo ao acaso algumas entrevistas antigas gravadas em vhs no youtube. entrevistas do gg allin e companhia. são vídeos quase caseiras de alguém que, hoje, já virou um tipo de mercadoria, ícone pop sem muita substância, reduzido ao bizarro e ao grotesco, mas que em vida era um tipo de vagabundo e marginal, fazia um tipo de música punk talvez medíocre mas que levou até as últimas consequências alguns pressupostos tomados de maneira caricata do punk no início. seja como for, ver aquela pessoa ali em vhs falando e se movendo num todo tão precário, 'baixo orçamento" -- sobretudo as gravações apenas de áudio para rádios piratas ou caseiras -- me provocaram esse efeito de espanto... que ainda não consigo descrever, mas me fazem pensar nessas palavras: fantasma, subsolo/underground, clandestina, lugar nenhum. mas dotado de algum tipo de verdade, de perigo -- "conspiração"?

houve um livro sobre os situacionistas chamado de Uma conspiração permanente contra o mundo. o nome remete ás organizações anarquistas e comunistas do século XIX, antes da "legalização da classe operária".

e como ficamos com o nome do blog ou sítio?


(presencialmente, hoje, falamos sobre Wu Ming, cuja a pronuncia pode, a depender da entonação da primeira silaba, significar "sem nome", "anônimo" ou "cinco nomes").


P.S.: lembrei da minha amiga, com que já não converso muito como antes. certa vez ela arrumou um emprego de jornada noturna em uma empresa de telefonia. talvez terceirizada. a empresa cuidava de fazer a manutenção das torres de transmissão de sinal e ela era encarregada de fazer a mediação com os peões na ponta que deveriam subir nas torres para consertar alguma falha (recorrente do mau tempo, de algum animal que por lá tenha passado e alterado alguma coisa etc.). Ela trabalhou lá durante um ano, mais ou menos, e conversava quase que diariamente com um peão de outro estado onde sempre dava problema na torre X. Eles provavelmente nunca se viram, talvez não saibam do rosto um do outro, embora toda essa comunicação persistente.

são realidades da qual temos apenas pistas. quase como um planeta distante. 



Anotações:

  1. In cinese "wu ming" significa "senza nome" (caratteri tradizionali: 無名; caratteri semplificati: 无名; pinyin: wú míng) oppure "cinque nomi" (cinese: 五名; pinyin: wǔ míng), a seconda di come viene pronunciata la prima sillaba. Il nome d'arte è inteso tanto come tributo alla dissidenza ("Wu Ming" è un modo di firmarsi frequente presso i cittadini cinesi che chiedono democrazia e libertà di parola) quanto come rifiuto dei meccanismi che trasformano lo scrittore in divo.   (https://it.wikipedia.org/wiki/Wu_Ming)  
  2.  "Talvez seja eu que erro. Mas continuo a dizer que estamos todos em perigo"     (https://chaodafeira.com/catalogo/caderno86/)

Novo filme? talvez um começo

Gostaria de me dedicar a algum novo projeto. Buscando por algum material me lembrei desta matéria abaixo, na qual consta a seguinte frase: «...